A criação deste blog teve por objetivo divulgar o trabalho do Núcleo de Estudos de Política Econômica (NEPE) da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul. As atividades do NEPE foram encerradas oficialmente em abril de 2018, por força de decreto do governo estadual do Rio Grande do Sul. As opiniões aqui expostas não refletem quaisquer posições oficiais desta instituição ou de qualquer outra, sendo de responsabilidade exclusiva do autor do blog. Neste momento o objetivo é contribuir para a preservação do patrimônio imaterial da FEE, bem como divulgar e avaliar criticamente as análises econômicas realizadas no Rio Grande do Sul.

29 de mar. de 2016

Sobre a política econômica de 2015/16 no Brasil


Agradecendo ao CEGOV/UFRGS e Pedro Paulo Zahluth Bastos pelo convite para o evento.
O livro está em http://cartamaior.com/_a/docs/2016/02/15.pdf

24 de fev. de 2015

Produção interna do NEPE com links

Neste link está disponível o caminho para toda a contribuição do NEPE para as publicações da FEE ao longo do período 2011-2018. Até este momento estão publicados ou no prelo 133 textos para a Carta de Conjuntura da FEE, 37 artigos para a Revista Indicadores Econômicos FEE, 2 artigos publicados na Revista Ensaios FEE, 3 Textos para Discussão, 24 artigos na publicação Panorama Internacional FEE.

Não constam desse levantamento publicações e trabalhos apresentados em periódicos e/ou eventos externos à FEE.

[atualizado em 03/04/2018]

7 de nov. de 2014

Impacto da política fiscal sobre a demanda agregada

Em 2012 eu havia dito que a análise das contribuições da demanda doméstica não era a melhor maneira de avaliar o impacto da política fiscal no crescimento do PIB, e que uma maneira melhor poderia ser encontrada em Pinkusfeld & Rodrigues (2010).

Disponibilizo agora um texto mais recente meu com estes autores, apresentando uma análise das finanças públicas e da política fiscal ao longo do período 2003-2012. As observações abaixo são minhas, sobre os resultados encontrados.

De um modo geral a política fiscal manteve uma postura bastante cautelosa com respeito ao nível de superávit primário. Em realidade pode-se dizer que foi em muitos momentos excessivamente cautelosa, já que a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB caiu bastante ao longo do período analisado. Em parte, as variações da dívida líquida obedeceram não apenas aos superávits primários mas também a aspectos patrimoniais não analisados pelo texto e que, acredito, precisam ser melhor investigados em um próximo trabalho sobre o tema.

Com respeito ao impacto fiscal, de um modo geral não foi muito expansionista. Houve dois anos em que a política fiscal foi recessiva: 2003 e 2011. Penso que teve sua importância a partir de 2004 para o ciclo expansivo 2004-2008, depois teve importância considerável durante a crise em 2009, favorecendo bastante a plena recuperação de 2010. Nos demais anos do mandato Dilma Rousseff, não foi expansionista o bastante para compensar o forte efeito recessivo de 2011 e/ou compensar a desaceleração das demais variáveis de gasto a partir daquele ano.

12 de set. de 2014

Fatores patrimoniais e variações do passivo externo líquido brasileiro

Disponibilizo um artigo publicado na Revista Indicadores Econômicos da FEE a respeito dos determinantes do comportamento do Passivo Externo Líquido Brasileiro. O ponto de partida do texto é a constatação de que os fluxos registrados no balanço de pagamentos não explicam os movimentos do estoque de passivo externo brasileiro ao longo do período 2001-2013. Ocorre que ao longo dos anos 2000 houve uma mudança significativa na composição do passivo externo brasileiro, tendo aumentado significativamente a participação de passivos denominados em moeda doméstica. Desse modo as variações da taxa de câmbio e dos preços dos ativos domésticas acabaram impactando bem mais sobre o estoque de passivo externo do que os fluxos registrados no balanço de pagamentos. Argumenta-se que este foi, junto com o acúmulo de reservas internacionais, um aspecto que reduziu significativamente a vulnerabilidade externa da economia brasileira nos últimos anos.
- O artigo completo pode ser acessado aqui
- Uma versão resumida do argumento foi publicada na Carta de Conjuntura da FEE
PS: Somente depois que finalizei o artigo, vim a saber que uma análise bastante semelhante foi realizada por Paulo Van Noije, tendo sido recentemente publicada na Revista de Economia Política e pode ser acessado aqui.

2 de jun. de 2014

Industrialização, termos de troca e elasticidades de comércio externo: alguns aspectos analíticos

Um dos aspectos mais importantes e difundidos do pensamento de Raúl Prebisch e da CEPAL é a posição favorável à industrialização da América Latina. Neste artigo pretende-se discutir a conexão entre esta posição e o enfrentamento da tendência ao desequilíbrio externo das economias periféricas, enquanto condição necessária para o seu desenvolvimento econômico. Argumenta-se que tal conexão não depende de uma hipótese específica sobre os movimentos dos preços relativos, mas sim da hipótese sobre a estrutura de elasticidades do comércio externo.


12 de mar. de 2013

Efeito temporário da crise sobre a América Latina


Têm sido frequentes as referências à “grande depressão” dos anos 1930 para caracterizar as dificuldades econômicas hoje enfrentadas pelos Estados Unidos e União Européia, decorrentes da crise financeira de 2008. Do ponto de vista do impacto da crise sobre os países latino-americanos, este paralelo é adequado?
Os dados disponíveis na literatura sobre os efeitos da crise de 1929 indicam não só que, naquela ocasião, houve uma redução muito abrupta nas receitas de exportação dos países latino-americanos, mas sobretudo que a recuperação posterior dos preços e volumes exportados foi extremamente lenta. As séries históricas disponibilizadas pela CEPAL para o conjunto da América Latina mostram que em 1940 o poder de compra das exportações permanecia inferior ao registrado em 1930. Sem entrada de capitais externos, as condições daquela década caracterizam bem o que Maria da Conceição Tavares denominou “estrangulamento externo absoluto”.
As informações disponíveis para o período posterior a 2008 nos permitem avaliar se as consequências desta última crise foram tão significativas para os países latino-americanos como nos anos 1930. É preciso observar previamente que o período 2004-2008, imediatamente anterior à crise, foi bastante favorável para a região. O ritmo de crescimento deste período não era registrado desde os anos 1970. Houve sensível melhora nos termos de troca e foram registrados sucessivos superávits nas transações correntes com o resto do mundo. Em conjunto com elevados influxos de capital, tal condição permitiu expressiva acumulação de reservas internacionais.
A intensificação das perturbações nos mercados financeiros internacionais em 2008 induziu naturalmente à expectativa de que, mais uma vez, eventos exógenos interromperiam o ciclo de crescimento da região. De fato os dados relativos ao ano de 2009 são extremamente negativos, mas os dados relativos à posição externa da região nos anos seguintes mostram uma robusta recuperação. Conforme mostra o gráfico, embora tenha havido piora dos termos de troca e redução do poder de compra das exportações em 2009, já no ano seguinte o nível de 2008 foi plenamente recuperado e a trajetória de crescimento foi mantida nos anos posteriores. No que diz respeito ao fluxo de capitais nem houve, a rigor, uma interrupção da entrada de recursos na região. Ocorreu, de fato, uma redução do influxo líquido de capitais entre 2007 e 2008, mas ainda assim ingressaram, neste ano crítico, cerca de US$ 70 bilhões em termos líquidos. Patamar semelhante foi mantido em 2009 e a partir de 2010 verifica-se persistente crescimento, atingindo o montante sem precedente histórico de US$ 200 bilhões em 2011.



Assim, independente da validade ou não da comparação entre os anos 1930 e os anos recentes no caso das economias desenvolvidas, o paralelo não parece adequado no caso da América Latina. A região como um todo parece ter, inclusive, recuperado seu ritmo de crescimento já em 2010 e 2011. Dos países maiores, o Brasil é o que tem apresentado menor taxa de crescimento, devido à relutância dos formuladores de política econômica a adotar uma postura mais expansionista que possa aproveitar o cenário externo ainda favorável. 

Publicado na Carta de Conjuntura da FEE [link]

20 de dez. de 2012

As condições externas ao crescimento na América Latina

Disponibilizo artigo a ser publicado na Revista Indicadores Econômicos da FEE, discutindo as novas condições externas da América Latina nos anos 2000, que permitiram à região acelerar sua taxa de crescimento no período 2004-2008 para um patamar não registrado desde os anos 1970.